Descubra como os minerais estratégicos que estão em smartphones, carros elétricos e satélites se tornaram peça-chave na geopolítica global.
Carlos Valente, em Setembro 02, 2025 | 536 visualizações | Tempo de leitura: 3 min - 520 palavras.

As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos fundamentais para a tecnologia moderna, mas cuja importância passa despercebida pela maioria das pessoas. Presentes em equipamentos de energia renovável, carros elétricos, smartphones e até sistemas de defesa, esses minerais têm se tornado um recurso estratégico global. Neste artigo, você vai entender por que eles são tão valiosos, como afetam a geopolítica e quais são as oportunidades e desafios para o Brasil nesse mercado bilionário.
As terras raras incluem os 15 elementos do grupo dos lantanídeos, além do escândio e do ítrio. Embora não sejam “raros” na crosta terrestre, sua extração e purificação são complexas e caras. Eles são indispensáveis em componentes de alta tecnologia, como imãs permanentes de turbinas eólicas, baterias de veículos elétricos e equipamentos militares avançados.

A China domina a cadeia de produção, respondendo por cerca de 70% da mineração e até 90% do refino mundial. Essa concentração torna as terras raras um recurso estratégico, influenciando acordos comerciais, inovação tecnológica e segurança nacional de diversos países. Estados Unidos, Austrália e União Europeia estão investindo em novas minas e tecnologias para reduzir a dependência chinesa.

O Brasil possui uma das maiores reservas de terras raras do mundo, estimada em mais de 21 milhões de toneladas. Apesar disso, sua produção ainda é limitada. Investimentos em exploração sustentável e desenvolvimento de tecnologias de refino podem posicionar o país como um player estratégico no mercado global, gerando empregos e fomentando a indústria nacional.
A extração de terras raras apresenta desafios ambientais significativos, como resíduos radioativos e poluição da água. Soluções como economia circular, reciclagem de componentes eletrônicos e uso de tecnologias de mineração limpa são essenciais para equilibrar demanda tecnológica com preservação ambiental.
A reciclagem, por exemplo, é essencial: lâmpadas fluorescentes contêm até 25% em massa de terras raras e apenas 6% são recicladas no Brasil.

Com a transição energética e o crescimento da mobilidade elétrica, a demanda por terras raras deve dobrar até 2035. Empresas e governos que investirem em cadeias produtivas sustentáveis terão vantagem competitiva, além de contribuir para um futuro tecnológico mais verde.

As terras raras são estratégicas não apenas economicamente, mas para soberania tecnológica e segurança geopolítica. O Brasil tem potencial para liderar, se investir no desenvolvimento de cadeia produtiva sustentável.
